Friday, February 20, 2009
A senhora Ironia e o Irmão Sarcasmo
Tudo começou e acabou com um simples mal-entendido de semântica.
- BLÁ, BLÁ, BLÁ ( muito alto ), ups desculpa, acordei-te?
- NÃO! Estou a dormir Ironia.
Desde aí que paradoxalmente começaram a falar.
- Deves pensar que sou o mestre-sumo da culinária não?
- Oh Sarcasmo, desculpa, não reparei que tinhas um colete-de-força vestido. Por isso é que não podes cozinhar...
- Hmmm... Está bem, eu barro a manteiga no pão.
De uma maneira ou outra lá se conseguiam comunicar, mesmo quando diziam coisas desconexas.
- Já estás a derrapar na maionese.
- Qual maionese? Ainda estás a pensar na culinária? Eu quando falo de bichos que comem a relva tenho a certeza do que digo!
E felizmente vivem juntos, apensar da coisa do nome....
- ‘Tás ta rir?
Friday, December 12, 2008
Os pequenos problemas existenciais II
A angustia que sentimos dentro de nós não é apaziguavel sabendo que a nossa posição em relação ao mundo sociedade é nula, só quando nos juntamos num poderio colectivo superior a mil pessoas é que consegues dizer qualquer coisa em vão para não ser ouvido. Toda a gente fala, mas ninguem ouve, alias, niguem quer ouvir. Mesmo que saibam que está plenamente incorrecto, um pequeno encolher de ombros basta para que a vida continue como estava.
Existe sempre uma força universal dentro de nós que tende para explodir, mas tentamos sempre reprimir toda esta energia, para não nos entristecer-mos de mais nem nos exaltarmos demais. Tendemos a normalizar as nossas emoções, visto no padrão social, ainda nos caracterizarmos como malucos. - Está feliz? Então está maluco. Está triste? Precisa de medicação. Diz que não está maluco? Então está em auto-negação. Quando vão começar a dar ouvidos ao individuo e decidir em prol do que está correcto para ele sem inflingir a liberdade de terceiros? Não é assim tão dificil.
Conseguir olhar para um maluco são e um são maluco medicado, a diferença é que o medicado virou maluco por causa da medicação. Já o que é so maluco por ser, não é, existe só uma repreensão moral e preconceituosa para a sua expressão das suas ideias e criatividade. Porque na verdade ele pode ser maluco porque acredita em “x” ou “y”, mas na verdade este maluco é inofensivo pois não desrespeita a liberdade de ninguem, simplesmente vive concoante os seus devaneios mentais.
Mas quem é maluco afinal? Somos todos. Mesmo que vivas a tua vida normal, repetindo eternamente a rotina diária do trabalho e televisão. Acabamos por ficar malucos, hipnotizados pelos mass media que nos fazem acreditar numa realidade fingida. Afinal quem é que é maluco? Eu sou!
Monday, November 24, 2008
Os pequenos problemas existenciais
O grande problema existencial é que se ao menos não fossemos tão globalmente controlados por todas as instituiçoes que conhecemos. Poderiamos conhecer a verdade, simples e concrecta, de modo que cada um de nós poderia sim, escolher o que está certo. Sem a verdade, estamos todos a fazer escolhas enviezadas. Será que o senhor António, quer mesmo seguir farmacologia se soubesse o que esta muito por de trás desses laboratiorios? Se soubesse a única e singular verdade?
É uma variável bastante dificil de julgar. De saber até que ponto está certa. O modo de vida que levamos agora era bastante diferente, eramos regidos por valores diferentes, assim como a ganâcia seria facilmente disposta como vergonha social, o industrialismo capitalista então seria impensável. As pessoas seriam todas mais verdadeiras e atenciosas, não haveria necessidade para o racismo e agressão étnica.
É incrivel como se processa um efeito de auto-destruíção e no entanto ninguem repara nisso. Ou ninguem quer saber, como se não fosse com eles. Não sei. Acho que deriva de um estupidificamento progressivo da população em não acreditarem neles próprios. Não vamos conceber ideias nem ideais porque o que está para ser concebido aparece na televisão. Não temos de criar opiniões porque o senhor-doutor-especialista vai aparecer e dizer o seu pré-feito racional ponto-de-vista sobre a matéria em causa. E todos vivemos felizes, apesar de estarmos em constante negação a vida inteira, somos felizes. Não, quando és criança. Não, quando es miudo. Não, quando és adolescente. Não, quando começas a tornar adulto, quando finalmente tens idade e conhecimento suposto para agora dizer sim. Os teus filhos, a tua mulher vão continuar a dizer não. E haveremos de ser mais velhos, e os nossos filhos e se calhar netos a dizernos não. Afinal como é o sim? Porque vivemos uma vida interia a dizer não uns aos outros, em vez de simplesmente aceitar-mos todos como somos, deixar de preconceitos e vivermos num mundo de sim’s. Um mundo de verdades.
Enquanto angustiamente esperamos por todo o caos no mundo, esquecemos-nos que somos nós próprios que alimentamos todo aquelo ódio, visto em todos os sitios e em todas as linguas. As pessoas que continuam no poder de hoje em dia, são as mesmas que criaram todo o tipo de guerras neste mundo “civilizado”. Nada irá mudar enquanto não se perceber que enquanto não mudarmos a MERDA, só as moscas é que vão mudando!
E assim vivemos o pequeno problema existencial da verdade, porque pois mesmo a verdade, pode não ser a verdade, mas sim só uma idealizada, de modo que, a verdade? É um segredo.
- Excerto do "pequenos problemas existenciais" que estou a escrever.
Espero que gostem
Monday, July 28, 2008
O Monólogo da Mente Humana pt. VII
- Com licença. Ups! Desculpe! Oi deixem passar! – Caraças! Quando uma pessoa se mete no centro do formigueiro, apercebe-se que não passa mais de uma delas. Umas guerrilheiras, outras carregadoras, aventureiras, difusoras de mensagem, todas com uma função. Eu simplesmente sou daquelas formigas que são pisadas, e depois quando observas mais atentamente andam sem rumo, sem nexo, desorientadas. Ao menos isso, sem uma função destinada pois andamos constantemente a ser “pisados” pela sociedade. – Um cigarro? Só tabaco de enrolar. – Não dá para perceber... Uma pessoa é simpatica na medida do possivel das circustancias e mesmo assim conseguem-te renegar no meio do altruismo. Será mesmo assim? Incentivam-nos a ser seres egoistas sem olhar pelo próximo?
- Humm, não obrigado. Mas... Não, eu só queria saber onde fica onde fica o cemitério... Não eheh é apenas um ponto de referencia. – Mas o que é que estas pessoas têm na cabeça? Ou será que não têm mesmo nada, e tomam rédeas duma conversa simples com base no estereotipo. Queres um cigarro, queres dinheiro, bolas, uma informação! Ou tambem estou a “cravar” intelectuo? – Ok, obrigado. Boa tarde. - Tantas suposiçoes e entraves mentais a um dialogo de tempo util de menos 10 segundos que eventualmente demorou 2 minutos sabe-se lá bem porquê.
Epa isto está apinhadissimo. Está ali o Jonhy, o Marcos, a Silvia e a Joana, de resto não vejo caras familiares. – Hey! Eheh então pessoal! Tudo porreiro por aqui? Alright, vamos lá curtir! – Alcool, drogas e sexo, vá rápido! Ahah, é aqui que se despega totalmente de algum tipo de preconceito e se deixa evaporar em forma de felicidade. – Marcos! Passa-me aí essa cerveja! Obrigadão pá! – Grande gente esta que compartilha da mesmo “modus operandi” que eu, apesar de em cada apinhamento de pessoal ter um concerto privado, uns temas próprios, um conceito defenido, uma vibração única. Uma grande paixão unia esta gente, o Marcos, o Jonhy, a Silvia, a Joana e as dezenas de pessoas circundantes. Era a paixão pela vida. Ter que sorrir só porque é bonito, ou porque é tonto, ou porque tem piada. – Elá, mais uma? Eheh hoje é dia de festa? ... Olha brinde a isso! Aos belos serões! – E rir porque se está entre gente que pouco puluidos estão pela sociedade e guardam consigo uma boa vontade que naturalmente nasce conosco e vai sendo adulterada durante a nossa estadia enquanto seres vivos. Pessoas genuínas com ideias não pre-concebidas. Não como aquela do cigarro, que me deve ter feito o historial da minha vida em 5 segundos .
- Tem que ser... eu sei que isto está bestial, mas tenho que ainda ter com um bacano... combinei com ele ao pé da casa dele, depois não sei se ficamos pelas redondezas, ou se voltamos, depois aviso descança! Vá divirtam-se! – Porra! Não me estava nada a apetecer sair deste mini-mundo, os tais escapes, que andam sempre por aí.
Espero que não esteja transito, se não fico a ganhar raizes ao banco e a vegetar. São tão monótonas as viagens longas em que independentemente da minha vontade tenho de aturar as mais variadissimas pessoas com os seus complexos. A velha que se queixa ao ar das suas varizes. A miudinha perplexa a olhar atentamente as trivialidades como a velha. E o homem ao meu lado que tem medo do mundo, timidamente foca os seus pés. Não percebo muita gente de hoje em dia, que quando anda, olha para os pés ao mesmo tempo. Como é que eles reparam do bacano que fez o pino em cima do poste, das raparigas jeitosas a atrevassar a rua, e o sol a bater nas janelas das moradias? Qual é o medo de tropeçar quando podes bater de cabeça? – Quer se sentar? Venha para aqui. – Dois em um, faz-se a boa acção do dia e saio de ao pé de dois deprimidos, a miudinha é feliz da vida porque ainda é ingenua. Infelizmente cada vez os miudos estão mais “rebeldes”, eu diria que estão formatados cedo de mais.
- Desculpe. – E o resto da viagem em pé, debaixo de inúmeros sovacos resigno-me a esperar pela paragem.
- Finalmente, ar fresco e mais um poluente anicotinado. – Bem... agora se não me engano é depois daquela esquina à esquerda, lá fica a casa dele, o bar deve ser perto. Esta zona da cidade é bem mais caricata e sombria, lá já fazia mesmo noite sem nenhuma iluminação artificial, a penumbra era composta por réstias de luz das salas de jantar, quartos, casas de banho e o tal bar no fundo da rua.
- Ora boas! Como está o senhor Pedro? Eheh ... Sempre em forma! Siga lá dentro pedir qualquer coisa pra molhar a goela. – O bar nem era mau de todo, refundido da cidade mas outro mini-mundo. – Isto é muito psicadelico eheh, tá altamente este bar! E a música também é porreira. – Parecia um ajuntamente de pequenos conhecedores do bar, tudo muito familar, quase dava pra sentir em “casa”. – São duas imperiais se faz favor... então Pedro, como é que descobriste isto? Este cantinho perdido. – Oh pois claro eheh, é mesmo ao pé da casa dele. – Tens é uma grande sorte, em ter um espaço destes nas redondezas. – E há quem faça kilometros so para aqui vir, olha eu. Acho que o sitio não faz o ambiente mas sim as pessoas. Mas este lugar é diferente, tem já uma ambiência residente, onde só te podes juntar a ela, nunca mudar. – Toma, ‘tá aqui o isqueiro. – Até os cigarros queimam sensualmente, o fumo desliza no ar e nos focos de luz colorida dando uma perfeita fotografica a cada milesimo de segundo. – Já estás de férias? ... Chatice, eu estou quase, mais uma semanita e adeus cidade. Ninguém me mete os olhos em vista eheh.
- Que horas são? ... Já? Bolas! Estive tão entretido que nem dei conta com o tempo a passar eheh. Obrigadão por este bocado pá! Mas tenho que bazar antes que fique sem transportes publicos... Tu tambem! Fica bem Pedro! Tchau aí!
Entre multidões desloco-me eu para onde quer que queira, o que me faz mais confusão mesmo, é imaginar estes mesmos monólogos multiplicados por centenas no mesmo espaço. A quantidade de barulho virtual que existiria num mundo paralelo dos pensamentos. Seria doentio estár num estádio! Se as pessoas já berram lá, imagino nos pensamentos! O estádio colidiria concerteza. Mas ainda bem que cada um tem acesso ao seu canal privado, e pelo que me parece já existe um nome pra estas conversas mentais, telepatia chamam-lhe. Sem palavras fisicas, poder comunicar com outro ser através da mente. Há quem comunique com o silêncio, com o olhar, com gestos, mas com a mente é um desafio de nível superior, isto se é que é possivel.
Monday, June 16, 2008
O Monólogo da Mente Humana pt. VI
Monólogo Musical
É como se todas as frequências existentes tomassem um corpo quase pálpavel ao que os nossos ouvidos dão o nome de som. – Epá! Isto soa muito bem! Vamos repetir! – E a dança recomeça, a notas ficam citilantes, o corpo entra em transe, o cenário é sugado para um vortex temporal e o coração vibra insistentemente. Realmente supreendes-me, como é que tu fisicamente me hipnotizas? Por momentos pensei que tivesse perdido todas as minhas capacidades e simplesmente deixava-me levar pela harmonia interminável. Era um mero espectador, apreciador, ouvinte. Não era eu que estava a controlar, estava por todo o lado e não havia fuga possível. Tinha de esperar que acabasses de tocar para restabelecer a linha cronológica entre o inicio e o fim. Pois enquanto tu tocas, o tempo pára para mim.
- Gostas-te? – hmm hmm. – Óptimo, vou começar de novo. – Mas.... já.... não.........
- Brutal, agora só tinha de ter o resto a acompanhar. - ...tocas-te isso o suficiente? – Epa mas aquela parte ainda não está como deveria estar. – Espera! Deixa....-me... só.... PENSAR UM BOCADINHO! – Já está feito! – Tens que compreender que nem é por eu não gostar de te ouvir, não gosto é de ter estes bloqueios quando tocas, parece que me desprezas ou simplesmente não te interesso. Ainda pensava eu que as drogas é que me deitavam abaixo!
- Bem, deixa lá ouvir este cd que me emprestaram, acho que é porreiro. – Isso, sociavelmente te vais sentar no sofá. Hmmm... curto as guitarradas. – Hey! Oiçam la o gajo a esgalhalas! – Não me pareciam muito interessados na música, não fosse por eles, eu ouvia na mesma. Ahhh... Isto dá-me vontade de sorrir, tem uma melodia quente do sol ao fim de uma tarde. Era bom estár lá, não falta muito tempo, os escapes da liberdade estão sempre por aí. Epa, já vai em que faixa? Terceira? Hmm... Quarta? Parecia uma musica interminável, ou não foi propositado e acindentalmente fizeram tal proza ou então tiveram ( e têm! ) tal genialidade para subtilmente construirem uma temática, uma história coerente ao longo de sessenta e tal minutos. – Hãã....? Não, não estou a dormir eheh. ‘Tá fixe, tou so a curtir a musica. – Aonde ia eu? Ah! Aonde ia a música... Notas progressivamente tocadas num determinado ritmo e tempo que linearmente construia entre si uma detalhada complexidade melódica.
Epá! Que é isto? Ainda é o mesmo cd? Que faixa é esta? Uma (des)sinfonia quase completa. – Ya façam isso, mudem de cd. – Tortura momentanea incorporea... a vida é um conjunto de musicas. Umas são bonitas e dão-nos vontade de sorrir, outras arrepiam e fazem os nossos tímpanos oscilar. Umas dão vontade de saltar, outras de chorar. É como situações da vida, cada uma adequa-se ao tal exacto momento que vivemos.
Wednesday, May 21, 2008
O Monólogo da Mente Humana pt. V
O Monólogo Psicótico
Tu recuas como se tivesses medo de qualquer coisa que não existe, adulteras-me de modo a teres os teus sentidos mais apurados de alguma maneira. Já não te consigo controlar, só te posso ajudar-te a aventurar no desconhecido. – Épa! Mas aonde é que nos fomos meter? Alguém sabe como depois voltar? – não entres em pânico, é desnecessário, não sou eu que te vou indicar caminho algum, toda a memória a curto prazo tornou-se vaga e pouco concrecta, o tempo torna-se como os carrinhos de dar á corda, paras no tempo, e dás corda, e mais e mais e mais e mais, até que sentes que chega um ponto onde já não estagna mais o tempo, e aí deixas o carrinho partir. Tenho de processar horas de pura desconcentração de modo a tracejar um plano espaço-temporal que me diga porque estou aqui agora! – Então mas, o que é que estamos aqui a fazer? - Ri-se tudo como se estivessemos num circo, mas era mais um freak show, ninguem fazia malabarismos, era tudo visualmente apelativo e não tinha de existir por ventura nenhuma razão especial para debitar-mos décibeis de gargalhadas.
- Já vi que é inutil resistir, e realmente, o que interessa onde estamos quando o que importa é como estamos, deixem-me atestar outra vez a cabeça! – Mais uma vez zombificar-me para se demonstrar no aspecto fisico, mas pronto, tambem te estas nas tintas para o fisico por isso, porque não? Ahhhh o doce sabor da irrequietude anestesiada. Fazes-me cócegas cá dentro, fico dormentemente adormecido e sigo o roteiro sem destino. – Não! É parvo, as linhas horizontais que rasgam o céu, não são nuvens, são rastos humanos voadores que rompem e deixam a sua marca pela mastejidade imperial do reino dos céus. – Tudo fazia sentido sobre um plano de pensamentos complementares numa matéria sem nexo nenhum. Tinha de ser assim, toda a ligação entre o lógico e o real tinha apenas uma sombra de distância.
Deambulemos para ali, a serenidade visual que o retiro apresentava, desencadeava uma súbita vontade de pernacer horas em pura meditação fingida, só para eu descançar um bocadinho, focas o infinito mais próximo de ti e petrificas os movimentos ao ponto de so pestanejares. – Hey! Para ali! Há uma arvore ali! – Mas é só uma arvore... – Vá vamos, não vá aparecer ninguem para nos roubar o lugar! – Eh só nós compreendemos a iguaria que está presente dos nossos olhos, como costumam dizer, a beleza é subjectiva. – Ah, mas não querem vir? Então eu estou por ali, já nos encontramos de novo. – Quase semi concretizado o objectivo, só faltava a parte fulcral do processo. A arte de divagar. Nunca é verdadeiramente facil nem dificil nas determinadas alturas conseguir por tal acto em prática. Vês gente que anda, gente que não anda, gente que se senta, gente que fala, gente que come, gente que bebe, gente que fuma, gente que cai, gente que está frustrada por ter perdido algum objecto pessoal, gente que cái de novo, não gente a cagar no chão, gente a apanhar o cagalhoto dos não gente. É tudo muita gente mas ao mesmo tempo não são ninguem. Gente faz-me lembrar muitas pessoas, talvez da terriola, que cultiva batatas e cenouras. Estas pessoas não são gente, são seres vivos formatados cerebralmente desde a nascença até que morrem, vivem constantemente ligados a um canal de lavagem cerebral, como se tivessem umas antenas no topo da cabeça que captasse tudo o que é entulho e assimilassem como uma verdade irrefutável.
- (suspiro) – ... A vida não pode ser assim. Pelo menos creio que existam pequenas comunidades que vivem em harmonia sem toda a sujidade da sociedade. Nómadas sedentários que ficam para onde vão.
Wednesday, May 14, 2008
A paisagem
Esfrego as lágrimas da minha testa e limpo o suor dos meus olhos. Sim cansei-me de chorar, não vale mais a pena depositar fé em ti. Pois é uma falsa crença e a deusa que idealizo não existe. Em tempos seguia-te cegamente, mas mesmo cegamente, não te via. Hoje em dia vejo-te, mas eu só queria te contemplar na verdade. Existe uma linha paralela entre um sentimento real e imaginário, o real desvaneceu-se, por isso comecei a imaginar que ainda era verdadeiro.
Na pura das verdades é uma idiotice pegada num pseudo amor platónico, mas na verdade, acaba por ser mesmo isso, um amar mas sem tocar, ver, sentir. É inspirador sim, mas decadentemente triste e solitário. Uma estrada que se opta tomar, bastante arvoreada e não se consegue ver o céu através dos densos galhos que formavam um perfeito tunel até ao fundo da estrada. Percorri essa estrada durante anos, não sabia se tinha fim, não sabia como era o fim,e não sabia onde estava. Independentemente para onde olhasse só tinha a floresta que acompanhava ambos os lados da estrada, da qual já não sabia que caminho haveria de tomar, se continuava ou voltava tudo. A única coisa que realmente importava é que nas minhas costas ficava tudo para trás. E sabia bem a sensação, de caminhar numa estrada sem fim à vista, na qual me (re)perdia vezes sem conta.
Até que um dia a selva deixou de ser abrutamente envolvente e um belo azul pairava para onde quer que olhasse. Era inspirador, os meus olhos brilhavam, o meu corpo irradiava energia. Estava perante uma planicie de beleza esmagadora ao ponto de nos sentirmos tao pequenos por dentro que não aguentamos mais e queremos explodir e espalhar os bocados restantes por aí.
Fiquei perplexo durante minutos, estático completamente, horas ainda pasmado, a beleza era eterna, não existia um unico sentimento de desistencia, a vontade de contemplar era maior do que outra qualquer, a cada segundo que passava parecia mais belo que o anterior. Estava perante a fonte da vida e eu bebia dela até não poder mais.
Depois de barriga cheia de tão benzida água, a paisagem já não era igual, a noite começava a cair e já não se via a linha do horizonte, voltei a ficar triste e solitário pois a paisagem já não se avistava, e a minha dependencia de tal beleza começavasse a notar numa ressaca de introspecção, se amanha a paisagem estaria lá de novo. Dormia com a expectativa do acordar. Mas por desilusão, estava nublado, parecia tudo muito desfocado e baço. Sentei-me e pensei que se esperasse, ficava melhor. A verdade é que passaram dias sem fazer sol de novo. Tinha ciclos de ansiedade e extase, nem sabia bem porque, se foi já pela felicidade de pelo menos poder ter sentido tal virtuosidade, ou se era à espera da proxima vez, era estranha a sensação de estar num dilema entre a resignação ou persistencia. Mas foi mais forte que eu, tive de passar la semanas até que o sol majestosamente afugentou a névoa e a tremenda exposição a tal magnitude me enfeitiçou de novo. Era o topo do mundo, e só eu conhecia aquele sitio, corria e saltava como se uma criança fosse, toda a lógica e porporção deixavam de ser fulcrais. Só interessava rodopiar nos largos pastos e olhar para o ceu de olhos fechados, isto tudo feito com um solene sorriso de como quem se sente satisfeito com o que faz.
A noite pôs-se de novo, embalado pela dança toda tomo por garantido que o sol fosse nascer mais assiduamente por aí adiante.
E o sol realmente continuou a reinar os céus, a beleza mostrava-se sempre gratuita a ser consumida visualmente. Mas existia algo de diferente, já não era palvavel, não conseguia interagir com a Natureza, como se por momentos sempre que dava uma passada enfiava o pé num buraco ou se não era um passo em falso. Já não gostava de andar por ali, apesar de, todo o seu esplendor ser estonteante. Tentei afundar-me mais no coração daquela paisagem, fui à procura do horizonte, e o que o fazia tão belo. O caminho era como esperava, em pedrinhas todas juntas e umas maiores de lado a fazer de relevo a indicar as bordas da estrada, O verde rebentava por todo o lado, inspirava a frescura e todos os cheiros doces acumulados em tal inexplorado terreno. Ainda via o horizonte, mas muito lá ao fundo, de tal modo que parecia que estava do outro lado do mundo. Não desisti, sentia-me perto do santo graal, de uma epifania, do objectivo da vida, era algo grande sim, de tal modo que decidi avançar mais depressa.
Mais depressa comecei lentamente a aperceber-me que aquele caminho era um circulo, por isso é que o horizonte permanecia insistentemente longe. Sentei-me um pouco e percebi que precisava de furar mesmo pelo meio da virgem floresta de modo a desbravar terreno até chegar onde pretendia.
E assim foi, caminho a dentro me meti, a inicio toda esta penetração pelo desconhecido parecia ter o seu encanto. Todos os passos sabiam bem, era na direcção certa, ate que um enfiou numa zona mais maleavel, era arenoso, pedrinhas, e de repente parei. Parei e não consegui andar mais, tinha ficado preso num campo de areia movediça e afundava-me devagar. Era um processo ainda demorado, ser engulido lentamente pelo sitio que idealizava. Sentia angustia dentro de mim e uma desilusão infinita por nunca ter chegado ao horizonte. O sonho estava arruinado e a cada monento que era arrastado para baixo o horizonte tornavasse menos e menos visivel.
Por incrivel que pareça, quando pensei que fosse de vez, inverteu-se o processo e fui cuspido dali pra fora. Tinha uma nova opurtunidade, podia tentar mais uma vez chegar aos potes de ouro ou virar costas a este impulso incontrolavel de me aventurar pela floresta a dentro.
Decidi o que achei mais sensato, vir-me embora, o risco de ficar preso num buraco sem fundo era amedrontador. E continuo o caminho de volta, apesar de ainda olhar para trás para ter um pouco mais dos raios ardentes do sol vindo do paraíso, sinto que tenho de abandonar aquele local, consumia-me vivo. Volto para o campo à procura do horizonte ou vou-me embora de vez?